quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Inércia





Pensava. Não agora, não depois, não adiante... Pensava, refletia, escolhia.
Mas agia? Era muito covarde para tanto.
Parado, lento, observava o tempo. Adorava. Idealizava. Esperava.
De repente, pausa!
O silencio se rompia e algo se quebrava no ar.
Não esperou mais. Agiu. Correu, desesperado. De súbito, soltou uma palavra e o nada saiu de sua boca.
Esperou tanto que perdera o som. O compasso. O ritmo.

O tempo lhe fora ingrato.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Despertar



Porque isso é o que nos define...

Silêncio. 

Ele olhou para ela, confuso. Distanciou-se do parapeito, tentando entender aquela frase. Não fazia sentido... Não com o que sentira até agora. Não fazia o menor sentido! O mundo rodava e ele mergulhava naquele mar de indecisão. O que fazer? E o mundo não parava, exigia dele uma resposta. Do alto daquele prédio, eles esperavam uma resposta.

Aquele som inesperado...

Ele passou por ela e dirigiu-se à saída. Ele sorriu. Estava disposto a dar respostas e a entender melhor aquele mundo. Disposto a esquecer que um dia a conheceu, embora soubesse que isso não seria mais possível. Decidiu que entenderia o significado de viver. Um dia, entenderia. 

Um dia.

"E ela?", você me pergunta. Ela caminhou até o parapeito e seguiu-o com o olhar. Viu que, naquele mar de gente, ele vivia. Às vezes, errava, mas procurava as respostas certas. De vez em quando, ele olhava pra cima, mas com um olhar tão inexpressivo, que ela não tinha certeza se era por hábito ou se era saudade. Antes de descer, ela gritou para ele:

- Nunca esqueça que nós somos eu e você!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Dúvida




"Preste atenção", era o apelo dele. Ela então acordou do estado que se encontrava. Perguntava-se o que fazia ali e quanto tempo havia perdido. Preocupada, não notou o estado de desespero que ele se encontrava e ele julgou isso como desprezo. Ela levantou-se e ele retraiu a mão que ia em direção aos cabelos dela.

- Consegue escutar esse som? Parou...

Ela fingiu não ouvir e continuou, decidida. Sofreu, pois não ouviu passos atrás de si. "Siga-me", implorava em silêncio, mas ele não saiu do lugar. Estava próximo ao parapeito e ficou olhando o mundo lá fora. "O que será que essas pessoas pensam?", refletiu. Olhou para ela e estendeu a mão:

- Você vem?

Ela parou quando ouviu a pergunta. Olhou para ele e o encarou com uma expressão de medo. O ar estava pesado, faltava fôlego. Ela não queria ser tão definitiva. Não naquele momento. Puxou o ar e sentiu como se agulhas tivessem perfurado o seu pulmão. O som que saiu de sua boca era pungente:

- Quando eu e você viramos nós?

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Dor




Revivendo as velhas sensações. Era assim que continuava. Revisitando cada lugar, cada espaço. Agora, a presença dela era quase ausência. O mundo ia passando e ele completamente imerso naquele oceano de torpor. Uma sensação antiga e extremamente familiar.

-  O importante era aquele momento. O eu daquele momento.

As memórias fluíam e o presente estava ali ao lado dele. Minto, pois ele ignorava completamente o presente.  Estava escutando o som do passado e não se preocupava. Ecos de vida. Ecos de existência. Vivia todas aquelas sensações tão... mortas.

Lembrou-se que ela estava ali ao seu lado. Colocou a cabeça em seu ombro. Suspirou.
As pessoas ignoravam aquele som alto. Viver era mais importante.
Mas eles prestavam atenção em cada nota.
Prestam.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Desgosto




Era nítido que ela estava ali. Não poderia simplesmente ignorá-la, não é? Não como ela havia feito... Mas o que fazer? Esperar? De novo?! Calma, esse som não pode ser tão intenso e descompassado... Mas a pergunta ainda era a mesma: o que fazer? Apenas sabia que não consideraria a espera.

- Desligar-se?

Não era vingança? Sempre pensando no que os outros pensariam, mas nunca o admitindo... Andava cansado de dar satisfação e queria apenas desistir. De uma vez por todas. O problema era a expectativa alheia. E doía saber que se fosse embora, ela não sentiria. Sabia que iria sobreviver, pois já passara por isso, mas doía. Ainda dói. Certo?

É por isso que ele sempre entra nessa crescente.
De frases curtas e rápidas. Quase imperativas.
É por isso que ele sugere que o começo sempre mostra o fim e, por isso, nem sempre o final é feliz.
O que o aguarda? Não sabe.
Por ora, apenas o velho som melancólico.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Desdém



Não consegue sentir...?

E naquele momento de desespero, ela surgiu. Com um olhar intenso, um olhar pra dentro da alma. Intrigando-o. Ele esqueceu o que sentia e viveu um pouco de esperança. Era uma batida fraca, que vai e volta, vai e volta... Ela parecia perfeita. As palavras eram sensatas e a sensação era boa.

- Sempre haverá mudança, não é?

Não foi de repente, pois sempre brincou de observar as pessoas e não iria ser diferente com ela. Foi observando que o olhar não era tão intenso, pois andava cega com as pessoas. Almas vazias. A batida continuava fraca. Não ia e voltava, ia e voltava? Sentia... aquele velho gosto amargo.

A velha sensação de antes.

Um som qualquer, acompanhado por um olhar distante.
Um sorriso que desponta no canto da boca.
Esperança? Não existe tal coisa.
Volte pro começo. Ouça bem.
Abrace o som morno.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Desesperança



Ele anda alheio ao mundo. Vive as próprias ideias e anda sem medo. Absorto em seu próprio mundo. Não entende a importância de tanta confiança, de tanta estima. Vê contradições nas pessoas e acha tudo  desinteressante. Como por sua vida na mão de outras pessoas, crendo que elas mudarão sua vida? Isso não é atribuir poder? Isso não é uma forma de... ganância?

- Longe... do fim.

Por isso, alheio. Sem pressa, vivendo sem medo. É o que ele acha, pelo menos. Pois no seu próprio mundo, ele perde a noção dos sentidos e não confia em ninguém. E esse excesso de segurança - que faz tudo se tornar pouco (ou nada) interessante - é o que o torna poderoso. Ah, e a ganância... É algo tão volátil, não é? Porque ela é capaz de torná-lo ausente e não seja capaz de escutar aquele som...

Que som?
Ora, não está ouvindo?
O som descompassado, agonizante, atribulado...
Volte para o início, leia o título... Percebe que existe um som atribulado desde lá?
Pelo menos, consegue ver que agora ele ouve o tal som?
E sente medo?

Então, porque não o ajuda?