quinta-feira, 13 de junho de 2013

Perdoai as nossas transgressões



Uma mão estendida
Em forma de súplica
Não garante perdão

Mas um olhar vazio
E um sorriso dissimulado
Geram coisa pior

Uma mão levantada
Um gesto impensado?
Reina o terror

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Não nos dê o pão de cada dia



Insatisfeito, querer mais é seu motivo
Sua vida é simples ganância
Os bens de uma vida confortável
Nada mais quer.

A lição tão desprezada por ele
Tornar-se-á fina ironia
Viver de forma despreocupada
É tudo o que quer.

Volta para casa, vira a chave na porta
Um calafrio percorre a espinha
Pois ouve o som de passos abafados
O inesperado quebra o querer.

A imagem tão nítida de traição:
- Por acaso, tudo não tinha?
Logo sente o gosto amargo do pão
E entende o poder de não ver.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Da terra, visão dos céus



Passo perfeito, salto magnífico
Os céus contemplam sua dança
Tudo se encaminha para um final esplêndido
Por que não é?

Não há mais ar, não há mais fôlego
O sangue logo enche os seus pulmões
Em vão, as mãos buscam conforto
Por que não encontram?

Teme o fim, não fecha os olhos
- Melhor seria se tivesse fechado!
Percebe, então, em sua agonia
Um olhar altivo, vindo de cima

Sabe que o inevitável fim se aproxima
E, num último ato, abraça a terra
Não encara o olhar, sem esperança
Pois sabe que, em breve, estará ali.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Vossa vontade, nosso reino



Proclama o divino:
"Os arrogantes caem!"
Ela nem esboça reação
Não entende o verbo.

"O céu é um trono
E quem nele senta é solitário"
Ela nem tem mais tempo
Para entender tal segredo.

"O tempo é tão curto
Mas o reino é vosso..."
Ele nem sabe o que esperar
Apenas contempla.

O seu olhar se enche
Da mais profunda soberba
Ele nem escuta os arautos
Que predizem sua queda.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Santificado, nome vão


O que ela insiste em encarar, ele insiste em esconder...

Ele se destaca na multidão
Não consegue compreender os motivos dela
Esquece da prece, há tempos não faz
Não quer entender

O medo enche logo o seu coração
Arrisca um suspiro diante da que era tão bela
A cor foge do rosto, já respira mal
Afasta-se de ser

Ele usa aquele nome em vão
Por que, dentre todos, aos céus apela?
Vai embora, depressa, não olha pra trás
Só quer esquecer

Ele agora só anda e olha pro chão
O céu funciona como uma remota capela
O desespero constrói a distância abissal
Começa a morrer

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Estais no céu?



Não consegue mais olhar para as nuvens
Os olhos agora estão fixos no chão.
Tão distante, ouve-se um som amargo:
"Não olhe, não olhe..."

Cansou de esperar dos céus um socorro
Deu ouvidos à voz desesperada dos aflitos
Tão perto, o vento parece escrever:
"Não ouça, não ouça..."

Sem firmeza, parece andar sobre as nuvens
Vacila, mas executa seus passos no ar
Atinge o chão com espanto profundo
E tinge de rubro o chão tão cinzento.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Pai Nosso


Junta as mãos, deitada no chão
Dirige o seu olhar ao branco forro
Explora suas dores com doce afinco
Pois quer transformar o futuro em horas.

Recita, sem pressa, a velha oração
Não sente que não existe conforto
O tempo, no entanto, não atende os caprichos
De alguém que procura livrar-se do agora.

Ouve-se o som de um longo murmúrio
Repete o rito, mas perde o ritmo
O som diluído se traduz em desgosto.

Os lábios se fecham em um breve sussurro
- Percebe agora a dor de ter crido?
E mergulha sua prece no fim silencioso.