terça-feira, 23 de outubro de 2012

Desesperança



Ele anda alheio ao mundo. Vive as próprias ideias e anda sem medo. Absorto em seu próprio mundo. Não entende a importância de tanta confiança, de tanta estima. Vê contradições nas pessoas e acha tudo  desinteressante. Como por sua vida na mão de outras pessoas, crendo que elas mudarão sua vida? Isso não é atribuir poder? Isso não é uma forma de... ganância?

- Longe... do fim.

Por isso, alheio. Sem pressa, vivendo sem medo. É o que ele acha, pelo menos. Pois no seu próprio mundo, ele perde a noção dos sentidos e não confia em ninguém. E esse excesso de segurança - que faz tudo se tornar pouco (ou nada) interessante - é o que o torna poderoso. Ah, e a ganância... É algo tão volátil, não é? Porque ela é capaz de torná-lo ausente e não seja capaz de escutar aquele som...

Que som?
Ora, não está ouvindo?
O som descompassado, agonizante, atribulado...
Volte para o início, leia o título... Percebe que existe um som atribulado desde lá?
Pelo menos, consegue ver que agora ele ouve o tal som?
E sente medo?

Então, porque não o ajuda?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Edição




Sentado no quarto escuro, vai ouvindo música e se editando. Entende o que faz, mas nunca analisou tão profundamente. Sabe que é algo que não vem de uma experiência arrebatadora, pois inspiração nunca significou muita coisa pra ele. Apenas fixa o olhar nas coisas mais simples e extrai delas algo mais elaborado.  Fascinado pela mão que paira no ar ao sentir o toque do vento. Ou pela água que cai do chuveiro e forma rios de pensamento. Acha que os pontos não são finais e que as reticências incitam o suspense. Pode ser criativo ou apenas tedioso, mas ama e sente. Vai vivendo e se editando, mas nunca mais vai deixar seus pedaços pelo caminho.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

memória-tempo



"O tempo se vai, mas algo eu sempre guardarei..."

O som vai me levando de volta. Aos poucos, lembro daquelas pessoas, daqueles lugares. Daquele tempo quando o tempo não era importante. Daquele tempo em que eu não pensava na vida: apenas vivia. Um tempo ingênuo, um tempo que o som era sentido e a letra era pensada, mas não pesada. Um tempo em que eu amava as segundas. Um tempo em que dava pra olhar pro céu e admirar as nuvens. Um tempo que se confunde com outros tempos.

A realidade me chama e, aos poucos, abandono aquele tempo. Não deixo minha memória lá (isso pode ser perigoso...), mas é sempre bom relembrar e viver um pouco daquele tempo. Amanhã posso voltar a ele novamente. Ou na próxima semana. Espero que haja tempo para isso. Escolho com cuidado a próxima música e trato de pensar no agora. E o agora me diz que o homem de hoje ainda é o menino daquele tempo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012



"Shed that shallow skin, come and live again!"

Somos fúteis.

Estamos andando numa estrada e achamos que ela nunca terá fim. Que sempre será fácil voltar para o ponto de partida. Ignoramos o mapa, os sinais e as dicas de percurso que nos foram dadas. Ignoramos a mão estendida. Olhamos e ouvimos o que existe lá fora.

Até darmos conta que não temos tanto tempo. O caminho vai ficando mais escuro e mais difícil. E nesse caminho repleto de dúvida e imprecisão, nós escolhemos voltar. Escolhemos correr para o ponto seguro. Aceitamos viver e nos recusamos a apenas sobreviver. Olhamos para nós mesmos e ouvimos a quem nos quer bem. A quem importa. 

Seguimos o bom caminho.
Paramos de ser tão fúteis.
E vivemos felizes.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Prelúdio de um inverno triste



Começou a cair.
Intermitente.

Ela não notou.
Estava distraída.

Tornou-se contínua.
Ela ainda não percebeu.

"Espera..."
Tão tarde...

Essa água que escorre dos seus olhos
É teimosa e opulenta.

E não vai parar...
Nem por uma súplica.

domingo, 15 de julho de 2012




Com os dedos suspensos no ar, à espera de uma palavra que o alimentasse. Era assim que ele seguia, andando pelos cantos da forma estranha e habitual. Estava acostumado a observar, embora se proclamasse desligado. Analisava sorrisos e tentava entender o porquê das pessoas serem fascinantes e simplórias. Gostava do que era conceitual, mas a praticidade também o atraía. Tentava entender o que havia por trás de tantos gestos tão cheios de significado. E a vida dele era essa: viver escorado em armários, dizendo palavras que ela jamais ouviria. Sentia-se patético. Perdido. E solitário. Cansava de entender o mundo e seus sinais errados. Alguém poderia dizer para ele desistir, não? Assim ele se sentiria melhor. Não havia ninguém. O frio do quarto o abrigava, mas os dedos - agora inertes - pendiam diante de um doce som de desgosto.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Oxímoro

"Você é como as folhas que se aquecem ao sol...
Eu sou como as raízes que crescem na escuridão."
  
Só sabe andar despreocupadamente e com música nos ouvidos.
- Por acaso, não foi você quem me ensinou isso?
Todos se interessam, todos admiram, todos querem...
Mas todos conhecem?

Só sei andar com a mão nos bolsos e com música nos ouvidos.
- Por acaso, não foi você quem me ensinou isso?
A ninguém interessa, ninguém quer ver, a ninguém...
Por quê?

Como pode algo que expressa ausência ser tão visível?
Uma saudade tão presente...
Que, de alguma forma, me deixou dormente
E me fez mais insensível.

Eu prefiro o abstrato e você, o concreto.
Eu vivo esbarrando no real e você, na fantasia.
Uma cruel ironia entender esse aspecto?
Então saiba que te conto um conto em tom de poesia.

P.s.: Para Jhon. Por seu dia.