sábado, 6 de julho de 2013

Prece para o orgulho



Nosso Pai,
Estais no céu?
Em vão, santificamos o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino, sendo feita a nossa vontade.
Pois vislumbramos da terra o grandioso céu.
O pão amargo de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas transgressões, mas não espereis o nosso perdão.
Como deixastes que nós caíssemos em tentação?
 Livrai-nos do mal!
[Porque teu é o desespero, a dor, e a angústia, para sempre...]
Amém.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Nos livra do mal?



Ignoraste aquela voz
Sem temer o futuro
Estás agora diante dele
E não sabes o que fazer.

As tuas lágrimas insinceras
Teimam em cair dos olhos
As tuas mãos cheias de culpa
Oferecem dor e desonra.

Ainda olhas para o mar de gente?
Sabes que não haverá compaixão
Não sou divino, me alimentaste
Aquieta-te e colhe o que plantaste.

Do alto de tua arrogância
Não previste tua queda iminente
Sem olhar pro céu, apenas pro chão...
A fina ironia do amém.

Não espereis o nosso perdão



Suja tuas mãos...
Aperta com força...
Ouça o estalo...
Solta após o som...

Abre os olhos...
Enxerga tua queda...
Vai até a rua...
Sobe ao mais alto...

Espera o momento...
Reflete no tempo...
Apela ao orgulho...
- Esperas resposta?

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Perdoai as nossas transgressões



Uma mão estendida
Em forma de súplica
Não garante perdão

Mas um olhar vazio
E um sorriso dissimulado
Geram coisa pior

Uma mão levantada
Um gesto impensado?
Reina o terror

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Não nos dê o pão de cada dia



Insatisfeito, querer mais é seu motivo
Sua vida é simples ganância
Os bens de uma vida confortável
Nada mais quer.

A lição tão desprezada por ele
Tornar-se-á fina ironia
Viver de forma despreocupada
É tudo o que quer.

Volta para casa, vira a chave na porta
Um calafrio percorre a espinha
Pois ouve o som de passos abafados
O inesperado quebra o querer.

A imagem tão nítida de traição:
- Por acaso, tudo não tinha?
Logo sente o gosto amargo do pão
E entende o poder de não ver.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Da terra, visão dos céus



Passo perfeito, salto magnífico
Os céus contemplam sua dança
Tudo se encaminha para um final esplêndido
Por que não é?

Não há mais ar, não há mais fôlego
O sangue logo enche os seus pulmões
Em vão, as mãos buscam conforto
Por que não encontram?

Teme o fim, não fecha os olhos
- Melhor seria se tivesse fechado!
Percebe, então, em sua agonia
Um olhar altivo, vindo de cima

Sabe que o inevitável fim se aproxima
E, num último ato, abraça a terra
Não encara o olhar, sem esperança
Pois sabe que, em breve, estará ali.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Vossa vontade, nosso reino



Proclama o divino:
"Os arrogantes caem!"
Ela nem esboça reação
Não entende o verbo.

"O céu é um trono
E quem nele senta é solitário"
Ela nem tem mais tempo
Para entender tal segredo.

"O tempo é tão curto
Mas o reino é vosso..."
Ele nem sabe o que esperar
Apenas contempla.

O seu olhar se enche
Da mais profunda soberba
Ele nem escuta os arautos
Que predizem sua queda.